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Biblioteca do TCE terá nome de intelectual maranhense imortal da AML

 






Uma parceria inédita entre o Tribunal de Contas do Estado (TCE-MA) e Academia Maranhense de Letras (AML) deverá resultar em várias ações de incentivo à leitura e à pesquisa. A primeira delas será a abertura da biblioteca do Tribunal à comunidade, o que acontecerá no início de junho, quando o espaço ganhará o nome do intelectual maranhense e imortal da AML, Ignácio de Mourão Rangel, ou somente Ignácio Rangel, como se tornou conhecido nacionalmente como economista.

O presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MA), Washington de Oliveira, Acompanhado pelo diretor da Escola Superior de Controle Externo (Escex), conselheiro substituto Antônio Blecaute, se reuniu nesta quarta-feira (20) com o presidente da AML, Lourival Serejo, na companhia dos acadêmicos Joaquim Itapary, José Carlos Sousa e Silva, Felix Alberto Lima, Laura Amélia Damos e José Ewerton Neto. Em pauta, ações que serão desenvolvidas pelo TCE, com apoio da AML, em torno da recuperação do legado do economista maranhense Inácio Rangel.

Vista com ponto de partida para o resgate do pensamento econômico do ilustre maranhense, patrono da cadeira nº 26, hoje ocupada pelo escritor Carlos Gaspar, a iniciativa do TCE foi recebida com entusiasmo pela Academia, a quem caberá a realização de palestra sobre vida e obra de Inácio Rangel durante o evento de reinauguração da biblioteca. O palestrante será o imortal Joaquim Itapary, filho de um dos fundadores da corte de contas maranhense e autor de estudo sobre a trajetória de Ignácio Rangel.

O evento será realizado no próximo dia 07 de junho, com a presença dos acadêmicos da AML, representantes das universidades, estudantes, conselheiros e corpo técnico do TCE. A intenção também é contar com a presença de familiares do homenageado, e os primeiros contatos nesse sentido serão feitos a partir da próxima semana.

Para o presidente do TCE, a recuperação e reativação do pensamento de um grande formulador de políticas na área econômica, empurrado para o esquecimento pela ditadura militar, é um gesto que não se esgota apenas no contexto maranhense, mas que pode ser o embrião de um resgate desse importante intelectual no plano nacional. “Esse é o nosso propósito e é uma grande honra contar com o apoio da Academia Maranhense de Letras para levar a cabo essa tarefa”, afirmou.

“Estamos inaugurando hoje uma parceria com o Tribunal de Contas do Estado que vai render muitos frutos na área cultural. É uma grande alegria que o ponto de partida seja o legado de Ignácio Rangel, este grande pensador dos problemas nacionais”, observou o presidente da AML, Lourival Serejo.

PENSADOR DO BRASIL –maranhense de Mirador, Ignácio Rangel cursou a Faculdade de Direito do Maranhão instituição que foi o embrião do curso na atual Universidade Federal do Maranhão (UFMA). A formação foi muito ligada ao contexto em que nasceu: seu pai era um magistrado e seu avô e bisavô também frequentaram as cadeiras do curso de Direito da instituição.

Apesar da formação em Direito, seguiu novos rumos em sua carreira. Mudou-se para o Rio de Janeiro, onde passou a trabalhar como tradutor para a agência Reuters de notícia para quitar as contas e garantir a possibilidade de estudos de economia em casa - já que fora um autodidata nos estudos econômicos. Seus textos de análise econômica rapidamente ganharam relevância e foi convidado para fazer parte do grupo de assessoramento econômico de Getúlio Vargas, sendo um dos redatores dos projetos de criação da Petrobras e Eletrobras, duas das mais importantes estatais brasileiras, que teriam seu destino atrelado à história do desenvolvimento do país. No ano de 1953, além de trabalhar intensamente na assessoria de Vargas, Rangel escreve seu primeiro livro, A Dualidade Básica da Economia Brasileira, publicado em 1957.

Na década de 1950, foi um dos quadros que integrou o Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB), órgão vinculado ao Ministério da Educação (MEC) que produzia estudos aprofundados sobre os caminhos do desenvolvimento brasileiro. Ao lado de quadros intelectuais como os sociólogos Hélio Jaguaribe e Cândido Mendes, o historiador Sérgio Buarque de Holanda e a economista Maria da Conceição Tavares, firmou-se como um dos principais analistas da estrutura formativa do Brasil.

Foi convidado para realizar pesquisa a cargo da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), órgão das Organização das Nações Unidas (ONU) instalado em Santiago, capital do Chile. No retorno do Chile, Rangel ingressa no BNDE (Banco de Desenvolvimento Econômico e Social, que na época ainda não possuía o "S" no nome) onde chega a chefe de Departamento Econômico.

Nesse contexto, chegou a ser convidado pelo então presidente João Goulart para ser ministro da Fazenda, cargo que recusa. Logo em seguida, vem o Golpe de 64, comandado pelo Exército Brasileiro (EB) que o coloca nome de Rangel no ostracismo.

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